Um pouco de cultura inútil que herdei dos meus pais é a mania de analisar desenhos animados como se fossem manifestos políticos ou leituras filosóficas da humanidade. Perdi muito tempo perdido discutindo a irritabilidade do Pato Donald - que sofreria de problemas de ereção - ou mesmo a suposta inveja que levaria o Tião Gavião, homossexual, a querer ferrar a Penélope Charmosa.
A internet é prova de que eu não sou o único demente a gastar fosfato com assuntos de relevância questionável. Encontrei recentemente o recomendadíssimo blog The Journal of Cartoon Over-analyzations, excelente referência para os psicopatas que querem enxergar bestialismo em He-Man e She-ra ou para quem sempre questionou o estranho hábito de se vestir de mulher nutrido pelo Pernalonga.
Meu texto favorito, no entanto, é a análise freudiana sobre o clássico Beavis e Butt-Head, saudoso desenho da MTV. Vale a leitura, por mais que eu discorde de quase tudo o que está ali (explico: na minha opinião, Beavis não é apenas o 'id', ele é, na verdade, um gênio reprimido. Um dia ainda escreverei minha tese).
Presente para os fãs do desenho:

Do Metafilter, via Neatorama.
Para o fã de megaconstruções*, chegou o Natal. O Skycrapernews divulgou hoje os planos para os novos superprédios de Dubai. A cidade, que já abriga o Burj Dubai - mesmo em construção, já é o maior edifício do mundo - tem planos para receber as obras de mais três torres (de gosto duvidoso, é verdade) com mais de 600 metros.
Definitivamente, essa história de predinho 'low profile' de 40 andares é para os fracos.

* É um bom jeito de dizer que você gosta de arquitetura, mas sem pegar mal.
Carrie Fisher 'conta tudo'? Não, o The Sun conseguiu traduzir a 'putaria das celebridades' para o público de 'Star Wars'. A atriz, que vivia a princesa Leia, diz ter tido um caso com Harrison Ford, o então 'futuro galã' responsável pelo papel do verdadeiro herói dessa bagaça, Han Solo.
A chamada dos limeys é ótima (só não é a melhor manchete que li hoje graças ao grande Madu, que chamou a atenção para uma obra de arte). Não precisa nem traduzir, mesmo para quem não curte 'Star Wars'.

Ah, a fantasia sexual mais cliché do mundo geek...
Via Neatorama.
Segundo o The Smoking Gun, a história do sujeito que pagou uma fortuna por um filme "adulto" da Marilyn Monroe com um sujeito é bobagem.
So how could the son of the late informant have possessed an X-rated Monroe film that the FBI documents reveal was the property of the man with the New York City office? And how did the informant provide the FBI with a film he did not have?
A história começa a ficar boa. Ainda vão descobrir que o cara efetivamente pagou o US$ 1,5 milhão, mas recebeu apenas uma cópia mofada de 'Nunca fui santa'.
Campanha curiosa liderada pelo pessoal do Gawker. O colecionador que pagou US$ 1,5 milhão por um vídeo de Marilyn Monroe fazendo sexo oral em um homem (até agora, não identificado, mas falam em JFK. Duvido, deve ter sido Joe Dimaggio) já disse que não vai vazar a fita para a internet.
De Paris Hilton pra cá, realmente a decisão é, parafraseando o que diz o blog americano, algo que nossa mentalidade contemporânea não é capaz de entender. Por isso, eles querem que as imagens sejam liberadas, mesmo que não gratuitamente. É a putaria democrática... Ainda mais quando um dos envolvidos pode ser seu ex-presidente assassinado.
Dêem uma olhada nesse texto da texto da NewScientist. O Salvador Nogueira me disse que a pesquisa chega a uma conclusão que já é velha, mas, pra quem não sabe vai aí: a parte consciente do teu cérebro é um engodo, uma simulação pra te fazer sentir um ser pensante.
"Our decisions are predetermined unconsciously a long time before our consciousness kicks in"
Tudo o que você 'acha' que decidiu, na verdade, já havia sido decidido uma fração de tempo (cerca de meio segundo) antes de você 'pensar'. Exames de ressonância magnética captaram esse impulso inconsciente.
"My conscious will is consistent with my unconscious will – it's the same process"
Há, no entanto, a salvação via Sartre. O experimento não conseguiu avaliar, por exemplo, nossa capacidade de usar a consciência para revogar a ação pré-determinada. O livre-arbítrio resiste.
(Uma dica para quem se interessa pelo assunto é acompanhar a cobertura da Marília Juste, para o G1, na 60ª Reunião da Academia Americana de Neurologia)
Do Daily Mail, uma história absurda demais para ser verdade. Um paciente que precisava de um transplante recebe o coração de um sujeito que se matou com um tiro.
Sonny Graham foi então atrás da família do doador, para agradecer o gesto que salvou sua vida. Acabou se apaixonando pela viúva do suicida (aliás, só para deixar claro... se um dia eu doar meus órgãos, não quero ninguém me 'agradecendo' desse jeito).
Casaram-se. Até que, doze anos depois do transplante, Graham se matou com um tiro, exatamente do mesmo jeito que o dono anterior do coração.
O problema pode ser o órgão transplantado. A mulher talvez não seja grande coisa também. Mas o Mail quer acreditar na primeira tese. A explicação abaixo é curiosa:
Scientists say there are more than 70 documented cases of transplant patients having personality changes as they take on some of the characteristics of the donor. Last month, a woman from Lancashire claimed her literary tastes changed radically following a kidney transplant. Cheryl Johnson used to enjoy celebrity biographies and best sellers such as The Da Vinci Code. But now she prefers classics such as Jane Austen's Persuasion and Dostoevsky's Crime and Punishment. Character changes in transplant recipients are known as cellular memory phenomenon. However, medical experts are sceptical about the concept and insist there is little convincing evidence.
Procurei o que o 'senso comum' fala sobre esse tal 'fenômeno da memória celular'. Encontrei bons textos (o melhor, no Skeptic's Dictionary), mas aparentemente tudo não se passa de uma conspiração coreana que tomou Hollywood na pele da Jessica Alba. Aliás, se tivesse se casado com essa aí, Sonny Graham teria se matado?
Deu na Wired. Uma nova tecnologia para regenerar buracos abertos nos dentes por cáries pode aposentar o motorzinho dos dentistas.
É só mais uma promessa de um futuro sem transtornos provocados por médicos, dentistas, sádicos e afins (a diferença, aliás, é que o sádico não aceita plano de saúde).
Uma sugestão para quem quer ganhar um Nobel de medicina: o teste de PSA, por exemplo, jamais eliminou a necessidade do 'toque' na próstata. Acabar com esse exame constrangedor deveria ser o Eldorado da medicina moderna.
PS: O nome do 'gadget' foi criado antes mesmo da tecnologia: para o amigo Alec Duarte, do excelente Webmanário, o aparelho deveria se chamar 'scanner de cu'. Simples, sem censura ou superego.
Recomendado para quem lembra daquelas contracapas dobráveis da revista MAD (que ainda existe): uma nostálgica galeria do New York Times com as melhores artes produzidas pelo genial Al Jaffee, criador do formato.
Imperdível.

Sugestão de Tiago Dória.
Mr. T é foda. Ele era o 'B.A.' do 'Esquadrão Classe A'. Ele espancou o Rocky quando viveu o Clubber Lang. E, na linguagem dos memes internéticos, é o único ser vivo capaz de fazer Chuck Norris chorar.
Hoje, fico sabendo de um de seus milagres: nos anos 1980, o cara teria tirado um moleque do coma.
Um sonho: curtir um som com o cara e sair batendo no peito, gritando "you're my nigga, man".
Seguridade social, remédios para todos, xarope de maple, duas línguas, Terrance and Phillip e uma perna sempre fora do chão: é o 'créu' dos manos québécoises.
Recriaram quase tudo do mitológico clipe dos anos 1980. Até mesmo o fato do Bruce Springsteen ter roubado a cena, como no clipe original.
Do fantástico And I am not lying.
O blog da revista Wired chama a atenção para um documentário curioso que estreou no festival alternativo South by Southwest 2008.
Super High Me, do comediante Doug Benson, é uma paródia da tal 'dieta do palhaço' de Morgan Spurlock, que só se alimentou na rede de lanchonetes McDonald's por 30 dias. Benson, por sua vez, fica um mês fumando toda a maconha que é capaz de encontrar.
Os recursos de narração são os mesmos. Assim como Spurlock, Benson procura um acompanhamento médico para tentar verificar se a maratona está ou não detonando seu corpo. Ele também vai atrás de maconheiros ilustres: é mais 'in' comentar o consumo de cannabis do que admitir comer em fast foods diariamente.
É um tanto 'Cheech and Chong', mas espera causar alguma polêmica. Ainda mais por conta dos resultados finais: na comparação entre os exames feitos antes e depois do mês canábico, "Benson performed better on his SATs, showed an increased sperm count and an increased psychic ability."
Confira o trailer abaixo.

Sim, é ele, entre Ben Stiller e Jack Black (loiro), durante gravação de Tropic Thunder.
Para quem criticou o show do Bob Dylan desta quarta-feira em São Paulo:
1) Dylan não toca as músicas no mesmo 'ritmo' que elas estão gravadas no disco. Isso já é sabido. Quer cantar junto? Vá ao karaokê.
2) Aquele show que você viu em DVD nunca mais será repetido. Acha sensacional aquele Dylan dos tempos da Rolling Thunder Revue? Pegue o DVD e assista de novo. Não estamos mais nos anos 70.
3) A voz está rouca, sim. Experimente fumar 5 maços de cigarro por dia por cinqüenta anos pra ver o que acontece. Não gosta? Edson Cordeiro continua fazendo shows, e aposto que o ingresso está mais barato.
Ele já havia avisado. Somos tão imbecis que somos capazes de pagar até R$ 900 para vermos alguém nos chamar de idiotas. E, pasmem, como não acreditar que vale a pena?
Idiot wind, blowing through the buttons of our coats,
Blowing through the letters that we wrote.
Idiot wind, blowing through the dust upon our shelves,
We're idiots, babe. It's a wonder we can even feed ourselves
Apenas uma crítica: diferentemente do que o filme afirma, o sanduíche não é uma instituição americana, e sim um sinal da supremacia bauruense.
Do Improbable Research, blog do pessoal do Ig Nobel.
