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Já tomou aquele vinho bom e barato? Agradeça a Mondavi

napavalley_rotulo.jpgPermitam esse momento um tanto 'elitista', por favor, mas preciso invadir a seara do amigo Daniel Buarque:

Morreu, na sexta-feira, o empresário norte-americano Robert Mondavi. O sujeito foi um dos grandes responsáveis pela configuração atual do mercado mundial de vinhos. Se hoje você consegue comprar vinhos bons e baratos - produzidos fora da Europa -, agradeça a ele.

Mondavi foi um dos primeiros a acreditar que era possível fazer melhor que os franceses e os italianos, ainda que sem o mesmo terroir. Em 1976, um evento histórico em Paris viu vinhos californianos de luxo derrotando figurões caríssimos franceses. É mais ou menos o equivalente alcoólico de 92-93-05. 'Si, se puede' servido em taças.

Depois do sucesso da Califórnia, ficou fácil fazer cara de enólogo sorvendo bebidas da África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e, no caso dos brasucas, Chile e Argentina. Mondavi investiu em todos esses mercados. Sem matar a importância do tal terroir, ele forçou a mão para que se tornasse padrão o hábito de informar o consumidor sobre a casta da uva predominante em cada vinho. É deselegante, mas preciso repetir a construção: se hoje você sabe a diferença entre um Merlot e um Cabernet Sauvignon, agradeça a ele.

Claro, é fácil apoiar a tese romântica do 'brasileiro honorário' Jonathan Nossiter, em Mondovino, e culpar o poderio econômico de Mondavi por uma suposta 'homogeinização' da cultura milenar do vinho. O filme é ótimo, mas o chororô é falacioso: nós, mortais, compramos vinho 'globalizado' no supermercado, mas continua havendo espaço para o produtor pé-de-chinelo de uvas Torrontés em Salta e para o sujeito que herdou uma faixinha de terra na Borgonha e vende garrafas a peso de ouro aos importadores japoneses.

Aos entusiastas do vinho, sugiro um brinde (com uma taça de qualquer Malbec argentino de R$ 14,99 a garrafa) a Mondavi.

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Comentários

Ei, gostei da comparação enofutebolística. :)

O terroir não diz respeito apenas à França, mas à toda faixa de terra com determinadas características (culturais e geográficas) benéficas à produção de determinado tipo de vinho.

Se ficou a impressão de que o terroir é restrito à França (e à Itália também, que está na mesma frase), é erro meu. Mas o fato é que hoje há vinhos sensacionais até da Patagônia. O Chile e a Califórnia plantam Pinot Noir, uva que seria tão 'chata' que só sobreviveria na França. E o que dizer sobre o Vale do São Francisco? Outra coisa: hoje, a origem não é tudo. O consumidor se acostumou a ler o nome da casta, e espera que um cabernet siga com algumas características inalteradas, seja ele oriundo de plantações francesas, uruguaias ou neozelandesas.

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